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terça-feira, 24 maio 2016 14:50
Expert Insight

Tumores hepáticos

Os tumores hepáticos constituem um achado frequente na pratica clínica, embora e felizmente os mais frequentes são os tumores hepáticos benignos. Estes aparecem sob a forma de lesões nodulares hepáticos nos diversos exames imagiológicos.

Os tumores benignos têm origem em diversos tipos celulares e os mais frequentes são os hemangiomas que são tumores de origem vascular. Estes não têm qualquer gravidade e necessitam apenas de controlo imagiológico, habitualmente ecográfico periodicamente mas espaçadamente.

Depois são o adenoma com origem nos hepatócitos, tal como o hemangioma mais frequente na mulher e sempre benigno mas, obviamente, aqui o risco reside e é valorizável na sua transformação maligna, isto é, carcinoma hepatocelular. Por essa razão, exige vigilância apertada imagiologicamente e depois de confirmar que é um adenoma no sentido de prevenir a sua "malignização" poderá estar indicado a sua ressecção cirúrgica

É o tumor benigno menos frequente a monitorização pelo seu padrão molecular; dado ser um tumor com padrão mono clonal é importante. A realização da biópsia é muito importante para estabelecer o seu padrão molecular que se enquadra em quatro tipos e que são os grupos: HNFx mutação; β-catenina mutação; padrão inflamatório; incaracterístico

Depois, a hiperplasia nodular facal, também tal como o adenoma, é um tumor raro e muito mais frequente na mulher. Ambos estes tumores estão caracterizados por uma associação muito forte à toma de hormonas femininas (estrogénios e progesterona). Tem padrão típico de uma formação multinodular com uma "cicatriz" central, que se estabelece em torno de uma artéria anomola. Após a sua caracterização imagiológica, habitualmente por RMN, apenas exige vigilância, não exigindo qualquer tipo de tratamento.

Os tumores malignos, que infelizmente vão sendo cada vez mais frequentes, são os tumores que no dia-a-dia nos obrigam a pensar no seu diagnóstico precoce para poder obter um sucesso terapêutico. O mais frequente é o hepatoma ou carcinoma hepatocelular. No passado, era considerado um tumor apenas frequente em África e no Oriente (Japão, Coreias e Filipinas) e no Médio Oriente. Nas últimas décadas, tem aumentado muito a sua incidência no Ocidente e também entre nós. A cirrose hepática é por si só é um grande fator de risco para o seu desenvolvimento, e é neste momento a causa principal de morte dos doentes com cirrose hepática.

Alguns fatores de risco têm sido identificados na sua génese tais como:

a) A infeção pelo vírus da hepatite B e C;

b) A hemocromatose;

c) A ingestão alcoólica intensa;

d) O tabaco;

e) A ingestão de aflotoxin B;

f) A diabetes mellitus;

g) A obesidade.

O seu diagnóstico precoce é fundamental para possibilitar as opções terapêuticas curativas que são a cirurgia de ressecção e ou transplante hepático. Os doentes com cirrose devem obrigatoriamente realizar uma ecografia abdominal e a determinação de Ɣ feto proteína regularmente cada quatro a seis meses. No caso de dúvida, a realização de um angiotac é crucial para procurar a deteção das imagens vasculares típicas do tumor com "realce vascular arterial e washout após a fase portal".

O colangiocarcinoma é o segundo tumor primitivo do fígado. A sua origem e o epitélio biliar, não os hepatócitos. Considerado muito raro no passado no hemisfério Ocidental, a sua incidência tem aumentado nas últimas décadas. Os principais fatores de risco são:

a) A presença de colangite esclerosante;

b) A idade maior ou igual a 65 anos;

c) A presença de doença de Caroli;

d) Hepatolitíase;

e) Quistos do colédoco;

f) Cirrose de etiologia viral;

g) Prévia cirurgia biliar com drenagem das vias biliares;

h) Obesidade;

i) Infestação por parasitas biliares (C.Sineusis);

j) Infeção pelo VIH;

Impõe-se a terapêutica que, sempre possível, deve ser curativa com a realização da cirurgia. Em casos pontuais pode na localização intrahepática, em torno de estenoses de prévia colangite esclorosante primária, ser considerado o transplante hepático, embora seja uma indicação "experimental" ou marginal em relação às outras indicações.

Artigo de opinião pelo Prof. Doutor Rui Perdigoto, gastrenterologista do Hospital de Curry Cabral

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